Diretor jurídico é cada vez mais um gestor

quarta, 17 dezembro 2014 17:14

As funções dos assessores jurídicos in house das empresas estão a mudar, assumindo-se cada vez mais como gestores e líderes e menos como técnicos jurídicos. Os dados são do estudo de mercado 2014 da Iberian Lawyer, a que o jornal espanhol Expansión teve acesso.

Entre os 200 diretores jurídicos inquiridos, 68% dos entrevistados afirma que isto se deve à procura crescente de trabalho e responsabilidades de diferentes áreas da empresa.

Vários entrevistados sustentam que, além das responsabilidades técnico-jurídicas, o diretor legal está a converter-se num líder que deve dirigir uma equipa dinâmica que se comprometa com o negócio da empresa, saiba motivar a sua equipa, faça a gestão dos seus recursos de forma inteligente e esteja capacitado em matérias de core business. Este não parece, porém, ser um problema para a maioria dos in house, que vê com bons olhos esta função mais comprometida com o negócio da organização. Apenas 12% dos entrevistados considera que o negócio está a contaminar os advogados.

Alguns advogados que participaram no estudo acreditam que um dos seus papéis significou “evitar que a direção realize barbáries extremas”. Neste sentido, 62% afirma que esta encruzilhada também integra a figura do compliance officer, função que é muitas vezes exercida pelo diretor jurídico, o que é questionado por existir um possível “conflito de interesse” ao ter as duas funções ou obrigações conflituantes, convertendo-se o advogado em juiz e parte.

Por outro lado, o estudo detetou um ligeiro aumento face a 2012 da presença do advogado interno na tomada de decisões de negócio e da estratégia da empresa. Apenas 15% dos entrevistados tem, no entanto, lugar no conselho de administração e/ou de secretário-geral.

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