Henrique Chaves

terça, 28 março 2017 17:34 O sócio da Chaves, Roquette, Matos, Azevedo & Associados escreve sobre “Los mitos de la guerra civil”, de Pio Moa

Henrique ChavesDesde há muitos anos que me venho interessando pela história da Europa do séc. XX. No âmbito dessa delimitação geográfica e temporal assume particular relevância a guerra civil espanhola sobre a qual tenho lido vários livros, provenientes de diferentes quadrantes ideológicos.

A guerra civil espanhola incluiu, num curto espaço de tempo (1936-1939) e com particular intensidade, muitos dos fenómenos que se manifestaram na Europa ao longo do séc. XX. Aconteceu uma diferença abismal entre ricos e pobres com a resultante confrontação das duas classes sem o amortecedor da classe média.

Debateram-se pela força das armas duas ideologias autocráticas, uma dita de direita e outra dita de esquerda.

Produziram-se apoios e intervenções internacionais armadas a favor de cada uma das ideologias autocráticas referidas, ao abrigo do objectivo da respectiva internacionalização.

Aconteceu um gravíssimo conflito religioso consubstanciado num ataque à Igreja católica com milhares de mortes de padres e freiras e destruição de valiosíssimo e muito antigo património artístico religioso.

Experimentaram-se novas armas de guerra e aperfeiçoaram-se tácticas bélicas no sentido de obter resultados mais destrutivos a nível de pessoas e bens.
Mataram-se, por ambos os lados, milhares de pessoas nomeadamente militares e civis entre os quais homens de cultura como o poeta Garcia Lorca. Outros tiveram de fugir para o estrangeiro, caso do filósofo Ortega Y Gasset.

Como é próprio das guerras civis atingiram-se níveis chocantes de violência chegando-se ao ponto de jogar futebol com cabeças decepadas de adversários anteriormente fuzilados.

O livro que estou a ler chama-se “Los Mitos de la Guerra Civil”. Julgo que não existe uma edição em português. É seu autor Pio Moa, um historiador e jornalista. Tem como finalidade clarificar alguns factos e ideias que se foram construindo e que, na opinião do autor, não têm correspondência na realidade.

É um trabalho excelente, um óptimo livro que se “cavalga” sem se dar por isso. O facto de estar a ler um exemplar da 29ª edição é elucidativo.

Artigo escrito ao abrigo do anterior acordo ortográfico