Luís Pais Antunes: "Queremos expandir para novos mercados"

quarta, 29 março 2017 17:20 Luís Pais Antunes, managing partner da PLMJ

Luís Pais Antunes: Queremos expandir para novos mercadosNo ano do 50.º aniversário da PLMJ, o managing partner, Luís Pais Antunes, recorda a evolução da sociedade e avança o propósito de expandir para novos mercados, com especial foco na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. Numa conjuntura em que as necessidades dos clientes se tornaram mais “complexas, sofisticadas e exigentes”, o objetivo, diz, é crescer de “forma sustentada”.

Advocatus | Que balanço faz de 50 anos de atividade da PLMJ?
Luís Pais Antunes | Faço um balanço necessariamente muito positivo. 50 anos após os primeiros passos dados pelo António Maria Pereira e pelo Luís Sáragga Leal – a que se juntaram de seguida o Francisco Oliveira Martins e o José Miguel Júdice – a PLMJ é hoje, graças à visão, pioneirismo e espírito inovador dos seus fundadores, uma sociedade de advogados com grande prestígio e reconhecimento nacional e internacional que continua a crescer e a ter como principal objetivo servir cada vez melhor os seus clientes.
O que há 50 anos era um pequeno escritório de advogados tornou-se entretanto na maior sociedade portuguesa com quase 300 advogados num universo de mais de 400 colaboradores, presente em mais de 10 países espalhados por quatro continentes e que lidera uma rede de prestação de serviços jurídicos no espaço da lusofonia que é já uma referência internacional.
Graças ao espírito visionário dos nossos fundadores e ao talento e ambição das gerações seguintes, a PLMJ é hoje uma história de sucesso de que todos nos orgulhamos.

Advocatus | Como evoluiu o mercado da advocacia nestes 50 anos?
LPA | O mundo de 2017 pouco ou nada tem a ver com o de 1967. Naturalmente é também assim na advocacia. O mundo “abriu-se” – para o bem e para o mal –, a informação “explodiu”, a tecnologia tomou conta de uma grande parte das nossas vidas e os níveis de exigência de qualidade e de serviço não têm paralelo com o que conhecíamos no século passado. Hoje em dia, a especialização, a celeridade e a criatividade são incontornáveis. As necessidades dos clientes são muito mais complexas, sofisticadas e exigentes, não apenas em termos de capacidade de resposta, mas também em matéria de celeridade do serviço e criatividade nas soluções.
O papel do advogado tem vindo a tornar-se cada vez mais central, tanto em operações como no acompanhamento e na gestão de assuntos de complexidade crescente. Os advogados são chamados a intervir cada vez mais cedo, a ter uma palavra no planeamento e na gestão do risco, esperando-se dele um grau de especialização elevado, um conhecimento aprofundado dos mercados nacional e internacional, bem como dos sectores em que os clientes desenvolvem a respetiva atividade. O advogado hoje em dia já não se pode limitar a conhecer a lei e a jurisprudência. Tem de ter competências na área da gestão, saber avaliar riscos e conhecer o negócio dos seus clientes.
O desenvolvimento das sociedades de advogados ajuda a responder aos novos desafios. Mas também elas se deparam hoje com desafios importantes: o da eficiência, ditada pela necessidade de “fazer mais com menos” em resultado da pressão crescente de clientes cada vez mais exigentes na qualidade e no custo; o da concorrência, cada vez mas intensa, de sociedades nacionais e internacionais; o da constante inovação, não apenas ao nível das soluções que oferecem aos seus clientes, mas também da gestão e dos instrumentos de suporte no plano da tecnologia, dos sistemas de informação, da segurança, do conhecimento, da comunicação e marketing e do desenvolvimento do capital humano; o da mudança, resultante da pressão e expectativas das novas gerações Y e Z que veem e vivem o mundo de forma bem diferente dos mais velhos.

Advocatus | O que mudou na PLMJ nos últimos anos?
LPA | Muito mudou na PLMJ, mas as premissas são as mesmas que nos acompanharam ao longo de meio século: somos e queremos continuar a ser um escritório “full-service”, apostado na especialização e na qualidade e que cobre todas as áreas do Direito. Apostámos no reforço das nossas equipas com mais advogados, mais recursos, maior especialização e exigência. PLMJ tem vindo a trabalhar ano após ano com o objetivo assumido de prestar serviços jurídicos com cada vez maior qualidade, de forma mais célere e mais ajustados às expectativas dos nossos clientes, atuais e futuros.
A expansão para novos mercados, com especial foco na CPLP, é hoje um elemento distintivo da nossa marca. PLMJ já está presente em 10 países, com sólidas parcerias com escritórios líderes em países como Angola, Moçambique, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Timor, China/Macau e Brasil. É também aqui evidente a crescente afirmação da PLMJ Network graças às sinergias criadas pela língua comum e pelas afinidades históricas e culturais, graças a advogados que oferecem níveis idênticos de serviço e com igual capacidade de resposta e qualidade.
Apostámos também numa presença estratégica em mercados-chave na Europa (Londres e Suíça) e no estabelecimento de “desks” focadas no acompanhamento de clientes que privilegiam o conhecimento da língua e dos mercados dos países em causa (casos, por exemplo, das German Desk, China Desk, Italian Desk, French Desk, Scandinavian Desk), o que constitui um fator diferenciador que muito tem contribuído para o nosso sucesso e o dos nossos clientes.

Advocatus | O que aconteceu às áreas de prática tradicionais?
LPA | A PLMJ não abandonou as áreas de prática tradicionais, antes procurou adaptá-las às novas necessidades e aos novos desafios. Muitas delas continuam a ter importância relevante na atividade da nossa sociedade e a crescer. Estão mais sofisticadas e focadas nas exigências do cliente de hoje, por vezes segmentadas em razão das especificidades dos setores ou indústrias em causa.

Advocatus | Quais os principais desafios da advocacia para o futuro?
LPA | Diria que os principais desafios para a prática da advocacia não são substancialmente diferentes dos que se colocam nos mais variados setores de atividade. Identificaria três, em particular.
A disseminação da informação, o desenvolvimento tecnológico e aparecimento da inteligência artificial: as máquinas vão – já estão a – substituir muito do que era feito pela mão humana.
Em muitas das tarefas, o advogado não vai poder concorrer com a máquina; vai ter de focar-se na criação de valor, muitas vezes com a ajuda da tecnologia, filtrando a informação em excesso de que hoje dispomos e fazendo diferente do que os outros fazem.
Por outro lado, a integração das novas gerações: não sendo um desafio completamente novo (sempre houve novas gerações), parece existir, de facto, um corte mais profundo em termos de visão, de atitude e de expectativas. É algo com que já estamos a lidar, porque são já muitos os nossos advogados nascidos no final do século XX. Ir ao encontro das suas aspirações e abordar com flexibilidade os seus métodos de trabalho torna-se imperativo no processo de integração desta geração nascida nos anos 80 e 90.
Também a responsabilidade social é um desafio: tanto no domínio ambiental (diminuir a nossa pegada, através do reforço da política ativa de sustentabilidade que estamos já a adotar em matéria de soluções que permitam uma poupança e rentabilização de energia e água), como na devolução à sociedade de parte dos benefícios que esta nos traz (nas áreas do acesso à justiça/projetos probono; da cultura / Fundação PLMJ; da partilha de conhecimento, e da capacitação de jovens).

Advocatus | Que perspetivas têm para os próximos 50 anos?
LPA | Fazer sempre mais e fazer sempre melhor. Queremos continuar a crescer de forma sustentada, reforçar a especialização e qualidade das nossas equipas e advogados, expandirmo-nos para novos mercados com especial foco na CPLP e aumentar o número de clientes e transações internacionais, reforçando assim uma sólida rede de parceiros nos países lusófonos.
No próximo ano iremos mudar de instalações dos nossos escritórios de Lisboa, tendo em vista podermos servir melhor os nossos clientes e os nossos advogados e colaboradores. Continuaremos a apostar em novas plataformas e ferramentas tecnológicas, bem como na formação e especialização dos nossos advogados e colaboradores, potenciando talentos e estimulando a sua criatividade.

Advocatus | Quais as iniciativas previstas para comemorar os 50 anos da PLMJ?
LPA | 2017 marca não apenas o 50.º aniversário da PLMJ, mas também o 15.º da Fundação PLMJ, pilar central da nossa estratégia de responsabilidade social, que é já uma referência no panorama cultural nacional e internacional.
Queremos partilhar os nossos sucessos e criar memórias com aqueles que nos ajudaram a ser hoje a maior sociedade de advogados em Portugal e na CPLP. Por isso, adotámos como conceito central destas comemorações o tema das “memórias”. Memórias dos 50 anos que a PLMJ já leva de vida, mas também lançar as bases da criação de novas memórias que nos permitam projetar o futuro, envolvendo transversalmente aqueles que todos os dias são PLMJ, enquanto advogados, colaboradores ou clientes.
Iremos comemorar a partir de abril (mês do nosso aniversário), levando a cabo várias iniciativas que culminarão com a mudança de sede para o novo edifício em 2018. Vamos festejar cá dentro, mas queremos também motivar, comunicar e partilhar. No momento oportuno divulgaremos as ações externas, sejam elas ações de responsabilidade social ou ações mais pensadas para os nossos clientes, passados, atuais ou futuros, em Portugal e nos países em que a PLMJ Network está presente.

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