ASAP: Defender os clientes nos tribunais ou nos media?

quarta, 08 junho 2016 18:19

Num mundo ideal, onde os juízes são imunes a toda a informação exterior e em que "o jornalista é uma espécie de cavaleiro andante", Daniel Proença de Carvalho, da UM-PC, concordaria que a defesa dos clientes se faz apenas no tribunal. A ideia foi partilhada a propósito da mesa redonda sobre as relações entre as sociedades de advogados e os media no âmbito do 9.º Encontro ASAP, que decorreu esta quarta-feira em Lisboa.

Mas não é o caso e o advogado acredita mesmo que esse mundo ideal nunca existiu, a que acresce a alteração do mundo mediático, tornando "inevitável" a defesa na opinião pública, quando vê um "cliente completamente trucidado nos media". "O próprio segredo de justiça é hoje uma coisa profundamente perversa", acrescenta.

Pedro Rebelo de Sousa, da SRS Advogados, concorda que não se vive num mundo ideal, mas aponta limites: "os princípios éticos". "Ainda não ouvi ninguém condenar as sociedades de advogados" em relação à crise financeira, alerta, quando se condenaram, por exemplo, os auditores, precisa.

José António Pinto Ribeiro, da J. A. Pinto Ribeiro & Associados, entende que a defesa é para se fazer nos tribunais. E assegura nunca ter aparecido a fazer defesas concretas nos media. "Mas compreendo que há uma fase pré-processual (de instrução e inquérito) em que muitas vezes tudo se joga", admite.

Carlos Pinto de Abreu, da Carlos Pinto de Abreu e Associados, comenta, por sua vez, que fazer a defesa em praça pública só funciona porque "juízes e magistrados do Ministério Público não são imunes". Mas prefere salientar os benefícios para os clientes de ser "ético e reservado".

"Há preconceitos a ultrapassar para podemos avançar e tornarmo-nos modernos". A conclusão é  do presidente da ASAP, João Afonso Fialho, que a partilhou na sessão de encerramento do encontro.

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