Vitor Bento: "As sociedades de advogados são um negócio como outro qualquer"

quarta, 08 junho 2016 15:39

"O advogado é tão missionário como o padeiro". E as sociedades de advogados "são um negócio como outro qualquer, existem para ganhar dinheiro". As opiniões do presidente do Grupo SIBS, Vítor Bento, foram partilhadas a propósito da governance das sociedades de advogados, no 9.º Encontro da ASAP, que decorre esta quarta-feira, em Lisboa.

O economista entende que não existe, ao contrário da ideia comum, nenhum espírito de missão associado à profissão, nem nenhuma condição especial. Uma questão que gerou o debate com a plateia. A propósito, José Freitas, da Cuatrecasas, Goncalves Pereira, afirmou que "ser visto numa base apenas económica é desvalorizante". Mas Vítor Bento notou que o facto de existir uma "associação negativa à ideia de ganhar dinheiro" é que gera controvérsia.

O economista não vê que, em termos de governance, haja nas sociedades de advogados matéria  para  preocupação da sociedade em geral, enquanto "nas empresas há matéria para preocupação da sociedade e esta não se preocupa". "Nas sociedades os interesses são mais explícitos e mais facilmente controláveis", diz.

O managing partner da Sérvulo & Associados, Paulo Câmara, afirmou, por sua vez, que a problemática da governance é de interesse privado da empresa, pelo que é "business driven e não law driven". E destacou a importância da seletividade à entrada dos advogados e da progressão, sendo essencial construir uma carreira no sentido de o advogado se tornar sócio. Sobre o que o sócio da Raposo, Sá Miranda & Associados, Pedro Raposo, salientou que, embora seja "fundamental que as sociedades estimulem os associados que querem passar a sócios", "nem todos querem passar a sócios". Considerou, como tal, que talvez não faça sentido a existência de sócios sem funções de gestão e que associados sem esse perfil não devam ser sócios. Entende, porém, que os dois caminhos são possíveis e que os associados devem ser valorizados.

Baseando-se na experiência da Egon Zehnder, João Aquino crê ser "pouco provável" que as sociedades venham a ter boards, com gente de fora. E realça a importância da diversidade na forma de governação.

"Há governação nas sociedades de advogados, mas não como num banco ou numa sociedade quotada", acrescentou Paulo Câmara.

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